Sábado, 1 de Dezembro de 2007

O Velho Do Realejo

 

Lento atravessa o largo da feira

A custo arrasta a perna manca

As botas rotas cobertas de poeira

Rosto moreno farta cabeleira branca

 

Às costas uma velha caixa transporta

Carregado em esforço e na expressão

A saca de sarja o ombro suporta

vagaroso segue caminho de cajado na mão

 

A velha amoreira é o seu destino

E a sombra fresca da sua imponência

No banco de pedra que conhece desde menino

Descança o curvo corpo sua excelência

 

Ao pregão dos comerciantes tendeiros

O povo atraído vai-se chegando

Em algazarra reclamam os regateiros

Um justo preço vão negociando

 

O velho aproveita a clientela

E apruma-se por detrás do realejo

Subtil move a gasta manivela

No rolo as figuras desfilam em cortejo

 

A música soa em notas afinadas

O chapéu vazio aguarda no chão

O som deixa as gentes enfeitiçadas

No tilintar vai juntando para o pão

  

 

Editado por Barão Van Blogh .

 


Publicado por @s às 16:17
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40 comentários:
De doce amor a 7 de Janeiro de 2008 às 22:04
Belo bailado de palavras neste recanto.

Deixo um beijo doce e oxalá que regresses.Fico à espera.

Beijinho doce


De Girassol a 8 de Janeiro de 2008 às 15:58
Este poema levou-me para a baixa da cidade onde se encontram inúmeros mendigos, que são verdadeiros artistas de rua, tocando pelo pão de cada dia!

Aproveito para desejar um Ano de 2008 cheio de luz.

Informo que provavelmente mudarei de casa. O Girassol continua "no ar", mas deixo o endereço do novo refúgio:

www.vivovermelho.blogspot.com

Beijo.


De sei que existes a 8 de Janeiro de 2008 às 17:29
Passei para mandar um beijinho


De dairhilail a 11 de Janeiro de 2008 às 23:35
vim deliciar-me com as tuas palavras...lindas...


De Um Momento a 12 de Janeiro de 2008 às 10:01
Passo...
Deixo um beijo...
Saudades de te reler...

(*)


De Menina do Rio a 13 de Janeiro de 2008 às 22:35
Estive um tempo sem Pc e acho que me atrasei nos votos de um novo e feliz ano, mas quero deixar-te meu carinho e agradecer por tua presença em meus dias.

Um ano de amor, sabedoria , indulgência, humildade e discernimento a todos nós!


De Divinius a 12 de Fevereiro de 2008 às 19:09
Gostei de ler:)
A LUZ QUE TE DEIXO É DA COR DA MINHA VIDA...)


De Um Momento a 16 de Fevereiro de 2008 às 20:15
Passei...
Saudades de te ler...

Beijo...


De TiBéu ( Isa) a 12 de Março de 2008 às 09:09
Este poema levou-me á recordação, obrigada Barão por este momento. Voltarei novamente a este espaço. Até lá


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