Sábado, 1 de Dezembro de 2007

O Velho Do Realejo

 

Lento atravessa o largo da feira

A custo arrasta a perna manca

As botas rotas cobertas de poeira

Rosto moreno farta cabeleira branca

 

Às costas uma velha caixa transporta

Carregado em esforço e na expressão

A saca de sarja o ombro suporta

vagaroso segue caminho de cajado na mão

 

A velha amoreira é o seu destino

E a sombra fresca da sua imponência

No banco de pedra que conhece desde menino

Descança o curvo corpo sua excelência

 

Ao pregão dos comerciantes tendeiros

O povo atraído vai-se chegando

Em algazarra reclamam os regateiros

Um justo preço vão negociando

 

O velho aproveita a clientela

E apruma-se por detrás do realejo

Subtil move a gasta manivela

No rolo as figuras desfilam em cortejo

 

A música soa em notas afinadas

O chapéu vazio aguarda no chão

O som deixa as gentes enfeitiçadas

No tilintar vai juntando para o pão

  

 

Editado por Barão Van Blogh .

 


Publicado por @s às 16:17
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40 comentários:
De sei que existes a 1 de Dezembro de 2007 às 22:26
Bonito poema inspirado na realidade!
Beijo grande


De Sandra Dantas a 2 de Dezembro de 2007 às 14:05
Olá,
gostei do poema!!!

Uma boa semana para ti!
Abraço amigo!


De Daniel Delgado a 2 de Dezembro de 2007 às 15:41
Da simplicidade nasce o complexo universo.
Do olhar mais atento nasce o olhar de um poeta, revolucionário, artista,...
Obrigado pelo teu olhar tão belo e luminoso numa realidade por vezes tão negra.


De mariliza silva a 8 de Dezembro de 2007 às 20:39
Querido Barão

Sua súdita aqui está de boca aberta com tanto lirismo em suas palavras. PARABENS!!!!

beijos e some não
Mariliza


De Erika a 2 de Dezembro de 2007 às 22:55
Simples e lindo.

Que bom que está de volta.

Beijo


De Um Momento a 3 de Dezembro de 2007 às 21:28
E a tempos longinquos voltei
Com este lindo poema
Realejos me lembraram
Tempos findos em belezas
Belo!!!!
Muitos Parabéns!
Beijo agradecido
(*)


De Menina do Rio a 5 de Dezembro de 2007 às 18:05
Quando éramos crianças ainda haviam os realejos. O velho passava na rua tocando e iamos atras. Hoje pouca gente lembra disso! Um belo poema, relembramdo bons tempos!

Um beijinho pra ti


De Andrea a 6 de Dezembro de 2007 às 13:28
Lindo texto.. tritre para mim.. mas lindo *


De Adriana a 6 de Dezembro de 2007 às 17:23
Caríssimo Barão,
Estou muito honrada em hospedar me neste seu castelo de paredes negras e letras tão claras e límpidas que enlevam a alma.
Voltarei sempre !
Saudações que lancinam de sua quase súdita
Poetisa Lancinante


De georgia aegerter a 13 de Dezembro de 2007 às 15:53
Quando eu era crianca no Brasil existia o realejo, mas a modernidade chegou e acabou com as coisas que traziam vida para as ruas. Infelizmente a rua hoje em dia só tem tristeza.

Bom fim de semana


De Mim (aka Thunderlady) a 13 de Dezembro de 2007 às 16:37
Este poema levou-me a viajar por cenários criados que nunca vi nem verei, antigos, afastados.


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